Nordeste de Amaralina: criança de 8 anos é feita refém pelo próprio pai durante operação policial

Uma criança de 8 anos foi mantida refém pelo próprio pai por cerca de cinco horas nesta terça-feira, 3, na Chapada do Rio Vermelho, em Salvador. O episódio integrou um dia de intensa mobilização policial no Complexo do Nordeste de Amaralina, deflagrada após o assassinato de um policial militar. Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP), confrontos na região resultaram na morte de oito suspeitos.
O cárcere privado mobilizou equipes da Polícia Militar e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O suspeito, identificado como Alisson Luis dos Santos Oliveira, cumpria pena em regime semiaberto e utilizava tornozeleira eletrônica. Após negociações, ele se rendeu e foi preso. A criança foi libertada sem ferimentos físicos.
A PM informou que, até o momento, não foi estabelecida ligação direta entre este caso e a morte do cabo da PM Glauber Rosa Santos, ocorrida horas antes no Vale das Pedrinhas. A morte do policial intensificou as ações de segurança na área.
De acordo com a SSP, as incursões policiais resultaram em oito mortes após trocas de tiros. A pasta comunicou que seis dos mortos possuíam antecedentes criminais por delitos como tráfico de drogas, roubo, porte ilegal de arma e estelionato. Um adolescente também está entre os mortos.
Durante as diligências, que envolveram unidades como BPATAMO e Batalhão Apolo, houve apreensão de significativo material ilícito. Em uma das ações, iniciada por volta das 10h05, agentes foram recebidos a tiros por um grupo numeroso. Foram apreendidas duas pistolas (calibres .40 e .45), uma granada de mão de uso militar, munições, R$ 3.848,75 em espécie, além de entorpecentes — incluindo 148 eppendorfs de cocaína, 33 potes de loló e porções de maconha e crack. Todo o material foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A rotina dos moradores foi alterada pelos confrontos. Ônibus deixaram de circular na entrada do Vale das Pedrinhas, forçando usuários a se deslocarem até a Avenida Juracy Magalhães. A Polícia Militar anunciou que o policiamento ostensivo e especializado, com apoio do Grupamento Aéreo (Graer), permanecerá reforçado por tempo indeterminado.
O estopim para o acirramento das operações na região foi a morte do cabo Glauber Rosa Santos, de 42 anos. O militar, lotado no 30º Batalhão, foi atingido na cabeça durante confronto na madrugada e não resistiu aos ferimentos após cirurgia no Hospital Geral do Estado (HGE). Natural de Senhor do Bonfim, ele deixa dois filhos, de 3 e 8 anos.
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