O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello classificou como “delicada” a situação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Em entrevista ao Valor Econômico, Marco Aurélio afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos pelas instituições competentes, sem antecipação de julgamentos. Para ele, o Supremo e o Ministério Público Federal devem se debruçar sobre o conteúdo do material revelado pela Polícia Federal.
“Tudo que veio à baila é impensável”, declarou o ex-ministro, que integrou a Corte por 31 anos e se aposentou em 2021. Ele defendeu que os integrantes do STF discutam o caso de forma reservada e que a sociedade receba explicações sobre os desdobramentos da apuração.
As mensagens foram encontradas no celular de Vorcaro e incluídas em relatório da PF. Segundo as investigações, o banqueiro teria enviado textos ao contato identificado como sendo de Moraes, tratando de assuntos relacionados às apurações sobre o Banco Master. As eventuais respostas do ministro não foram integralmente recuperadas.
Marco Aurélio Mello ressaltou que não é momento de “querer sangue”, mas afirmou que o STF não pode funcionar como órgão de consulta para investigados. “O cargo público visa a servir. Não é para o ocupante se servir do cargo público em benefício próprio”, disse.
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