O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza desde março deste ano um programa de teleatendimento gratuito para pessoas com vício em apostas online e jogos de azar. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital Sírio Libanês, com investimento de R$ 2,5 milhões, e pode ser acessada pelo aplicativo Meu SUS Digital ou pelo site do governo federal.
O serviço é voltado para maiores de 18 anos com comportamento compulsivo relacionado a jogos, além de familiares e integrantes da rede de apoio. As consultas são realizadas por videoconferência, duram em média 45 minutos e podem chegar a 13 encontros por paciente. A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de psiquiatra quando necessário. Para acessar, o usuário deve fazer login com a conta gov.br e responder a um autoteste sobre o nível de dependência.
Entre março e maio deste ano, o SUS realizou 883 consultas virtuais para pessoas viciadas em apostas online, uma média de 12 atendimentos por dia. A expectativa inicial é atender até 600 pacientes por mês.
Os números refletem a dimensão do problema. Estudo divulgado em dezembro do ano passado estimou que mais de 17 milhões de pessoas apostam no Brasil. Nos últimos cinco anos, houve crescimento de quase 140% na busca por serviços de saúde mental no SUS por problemas de dependência de jogos online. Um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde calculou um custo anual de quase R$ 39 bilhões por danos associados às bets, incluindo despesas de saúde e pagamento de seguro desemprego.
Além do teleatendimento, o governo federal disponibiliza a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que bloqueia o acesso a cerca de 200 sites de apostas online. Até maio, mais de 574 mil pessoas haviam utilizado a ferramenta, a maioria optando por bloqueio por tempo indeterminado.
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