ONU reconhece fome em Gaza e alerta que palestinos enfrentam situação “catastrófica”

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do sistema de classificação oficial da insegurança alimentar (IPC), declarou nesta sexta-feira (22 de agosto de 2025) que Gaza vive um estado de fome, o primeiro reconhecido oficialmente no Oriente Médio, e que a situação humanitária ali é “catastrófica”.
O relatório detalha que mais de meio milhão de gazenses, cerca de 25% da população, enfrentam condições críticas com fome intensa, desnutrição aguda e risco elevado de morte. A ONU alertou que, sem um cessar-fogo imediato e ajuda humanitária em escala, a crise pode se espalhar para áreas como Deir al Balah e Khan Younis até o fim de setembro.
O secretário-geral António Guterres classificou a situação como “um desastre provocado pelo homem” e “um fracasso para toda a humanidade”, ressaltando que é ilegal, conforme o Direito Internacional Humanitário, usar a fome como arma de guerra.
As restrições à entrada de alimentos e suprimentos impostas principalmente por bloqueios são apontadas como causa central do colapso alimentar na Faixa de Gaza. A destruição de infraestrutura essencial, como padarias e fazendas, e os frequentes impedimentos logísticos têm dificultado ainda mais o socorro à população.
Apesar das evidências, o governo israelense nega o reconhecimento da fome e acusa o relatório de ser baseado em desinformação. Enquanto isso, hospitais relatam casos crescentes de malnutrição, sobretudo entre crianças, com pacientes frágeis e incapazes de se recuperar pela falta de nutrição adequada.
Médicos e organizações humanitárias reforçam a urgência de um esforço internacional para impedir que a crise se agrave ainda mais.
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