Vereador de Brumado diz que salário de R$ 13 mil “não dá nem para fazer a feira” e provoca reação

Uma declaração feita no plenário da Câmara Municipal de Brumado, no sudoeste da Bahia, colocou o município no centro de uma nova polêmica política. Durante uma sessão legislativa realizada em 30 de março, o vereador Bizunga Ramos (PCdoB) afirmou que o salário de R$ 13 mil pago aos parlamentares da cidade “não dá nem para fazer a feira”, fala que ganhou repercussão nos últimos dias após a circulação do vídeo nas redes sociais.
O episódio ocorreu durante um debate sobre a taxa de iluminação pública. Em meio à discussão com outro vereador, Bizunga reagiu às críticas e citou a remuneração dos parlamentares para sustentar que o valor bruto divulgado não corresponderia à realidade líquida após descontos. Em um dos trechos mais comentados, disse que “todos aqui recebem R$ 13 mil” e que, descontados os impostos, o valor final estaria longe do que parte da população imagina.
A fala rapidamente deixou o ambiente restrito da Câmara e passou a circular em páginas de notícias, perfis políticos e veículos baianos, onde foi recebida com críticas e ironias. A repercussão se explica menos pelo valor em si e mais pelo contraste entre o discurso do vereador e a realidade econômica enfrentada pela maior parte da população, sobretudo em um cenário de custo de vida elevado e renda apertada. A declaração acabou sendo lida, por muitos, como um exemplo de distanciamento entre representantes eleitos e o cotidiano do eleitor.
Embora o pronunciamento tenha sido feito no fim de março, foi nesta semana que o caso ganhou força, impulsionado pela divulgação do vídeo da sessão transmitida oficialmente pela Câmara. Até agora, a repercussão pública tem sido marcada mais pela crítica social e política do que por uma discussão técnica sobre vencimentos, descontos ou custo de vida em Brumado.
No centro da controvérsia está uma percepção já conhecida no debate público brasileiro: quando um agente político relativiza um salário considerado alto para os padrões locais, a fala tende a ser interpretada como insensível, sobretudo em cidades do interior, onde grande parte da população convive com renda muito inferior à recebida por cargos eletivos. Em Brumado, a frase não ficou apenas como um desabafo de plenário. Virou símbolo de uma desconexão que, em tempos de redes sociais, se transforma rapidamente em desgaste político.
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