A vitória do Santos sobre o Remo por 2 a 0, na noite de quinta-feira, 2 de abril, acabou ofuscada por uma nova polêmica envolvendo Neymar. Na saída de campo, o camisa 10 reclamou do árbitro Sávio Pereira Sampaio depois de receber cartão amarelo e afirmou que o juiz teria “acordado meio de chico”, expressão associada à menstruação feminina e vista por parte da repercussão como machista. O amarelo também tirou o atacante do duelo contra o Flamengo, marcado para domingo, 5 de abril.
A fala abriu espaço para uma possível discussão disciplinar na Justiça Desportiva. Segundo o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o artigo 243-G trata de ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito em razão de sexo, entre outros fatores, e prevê suspensão de cinco a dez partidas para atletas, além de multa de R$ 100 a R$ 100 mil. O próprio STJD também destaca, com base no Regulamento Geral das Competições, que infrações discriminatórias são tratadas como de “extrema gravidade” no futebol brasileiro.
Neste momento, porém, a punição ainda é uma possibilidade jurídica, não uma sanção já aplicada. A repercussão depende de eventual análise da Procuradoria do STJD para que haja denúncia formal com base no CBJD. Nas páginas oficiais de notícias do tribunal consultadas nesta sexta-feira, 3 de abril, não havia até então divulgação de denúncia contra Neymar por esse episódio.
O risco de um processo, no entanto, não é apenas teórico. Em março, o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, foi suspenso por 12 jogos e multado em R$ 30 mil pelo TJD-SP após declarações machistas contra a árbitra Daiane Muniz. No STJD, o diretor técnico Abel Braga também recebeu punição de cinco partidas e multa de R$ 20 mil por conduta discriminatória em coletiva, e o tribunal ainda lançou, em 20 de março, um protocolo de julgamento com perspectiva de gênero para reforçar o combate ao machismo, ao sexismo e à misoginia no futebol.
Se a Procuradoria entender que a declaração de Neymar se enquadra no artigo 243-G, o caso pode avançar para denúncia e julgamento, ampliando o prejuízo esportivo do Santos além da suspensão automática já confirmada pelo terceiro amarelo. Por enquanto, o episódio segue no campo da repercussão e da possibilidade de responsabilização disciplinar.
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