Cruz das Almas

Cruz das Almas: Roda de conversa do Gira de Mulheres aborda enfrentamento às violências

O Projeto “Gira de Mulheres: movimento circular e ancestral que move o mundo” realizou, na última sexta-feira (26), uma roda de conversa sobre racismo, sexismo, capacitismo e outras violências. O encontro aconteceu no Instituto Educacional Edward Jenner (IEEJ), em Cruz das Almas, e reuniu radialistas da Rádio Santa Cruz FM, comunicadores locais, integrantes do Ponto de Cultura nas Ondas da Cultura e integrantes da Associação Vencendo a Fibromialgia com Fibra.

Quem conduziu o diálogo foi a professora de Sociologia da Secretaria de Educação da Bahia (SEC/BA) e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Síntia Cardoso. Durante o diálogo, a professora destacou como o racismo atravessa o cotidiano da maior parte da população brasileira, formada em mais de 50% por pessoas pretas e pardas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além disso, Síntia abordou o sexismo e como ele se manifesta em diferentes esferas da vida social, evidenciando a persistência das violências contra as mulheres. De acordo com ela, essas práticas podem se expressar de diferentes formas, como psicológica, patrimonial, física e em situações de assédio sexual.

“Na maioria das vezes, só reconhecemos a violência quando atinge o corpo físico, algo ligado ao nosso passado histórico de escravidão. Nossos ancestrais eram tratados como não humanos e submetidos a castigos; por isso, ainda associamos violência apenas a marcas visíveis.”, explicou.

Contudo, ela ressaltou que as formas não físicas, como as pressões psicológicas e patrimoniais, também produzem danos profundos, ainda que sejam mais difíceis de identificar. “Controlar os bens, desqualificar e humilhar a mulher também é uma forma de violência”.

O diálogo também abriu espaço para refletir sobre o capacitismo e os desafios da inclusão. Nesse sentido, a apresentadora do Programa Radar do Povo, Maria Aline Rodrigues, e a estudante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Vitória Gomes, falaram sobre como o preconceito e a invisibilidade dificultam a participação plena das pessoas com deficiência em espaços sociais.

“O capacitismo pressupõe ausência de capacidade, mas nós não temos falta de capacidade. Temos diferenças e condições que, no meu caso, não atrapalharam em nada minha vida. Sou mãe, sou advogada e não tenho incapacidade alguma”, afirmou Maria Aline Rodrigues.

Para a coordenadora técnica do projeto, Valéria Damasceno, realizar atividades como essas é fundamental, pois representam um convite à reflexão. “Esses temas são realidade. Excluem, limitam e violentam vidas todos os dias. Então, falar sobre eles é dar um passo em direção à consciência e à mudança”, pontuou.

De acordo com Valéria, é necessário assumir a responsabilidade de criar espaços mais justos, inclusivos e humanos. “Nosso pensamento foi justamente esse: mostrar que a cor da pele ainda define oportunidades, que o gênero limita e que a sociedade não está preparada para acolher e garantir direitos a todas as corporalidades e formas de existir. Essas conversas muitas vezes são desconfortáveis, mas esse desconforto já é o início de uma possível consciência”.

O projeto “Gira de Mulheres: movimento circular e ancestral que move o mundo” é realizado pelo Ponto de Cultura “Nas ondas da cultura”, mantido pela Associação para Desenvolvimento Comunitário de Radiodifusão do Bairro da Assembleia de Incentivo à Cultura, Arte, Esporte E Lazer (Asbercaiba- Rádio Santa Cruz FM), tem a coordenação geral de Selma Chagas e Célia Chagas, e financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Por Fernanda Amordivino

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